
Há quem tenha criado um blog para superar desilusão amorosa. Ou por quê não sabia o que queria fazer da vida. Ou por quê queria expor algo em que era bom: maquiagem, jogo, fotografia... Mas a maior parte, pelo menos dos que visito, foram criados para se compartilhar coisas que não sabiam com quem dividir.
Eu estou na última categoria de por quê criei um blog. Criei, pois percebi que não era ouvida como gostaria. Você fala e as pessoas não ouvem. É aquela coisa de não ter paciência, não ter tempo, "todo mundo é chato" e a própria pessoa não se toca de que também é um sonífero em toda a sua essência.
Eu criei um blog pois não sentia mais conexão com as pessoas que convivia na escola. Não acho que conta tanto os familiares. Pois são com nossos amigos que costumamos de fato trocar uma ideia legal. Mas as pessoas não sabem mais conversar. Bem, não as que eu andava na época em que criei o primeiro projeto de blog em potencial.
Ter amigos nerds era ter o que conversar, mas não poderia ser nada sentimental, ou sobre arte. Era chato pra eles. Mas eu amava escrever, ler e não tinha com quem compartilhar. Foi nessa mesma época, que deletei todos os meus tumblrs de texto. Uma dor necessária. E eu já não suportava mais não ter com quem conversar e eu amo conversar e sobre tudo. Eu amo compartilhar, pessoalmente. Gosto de dizer o que vi, ouvi, li. Realmente adoro. Mas aquilo não deveria pertencer só a mim. Então já que o mundo físico não me dava o que precisava, migrei mais uma vez, para o virtual. Não para apenas compartilhar os meus sentimentos, mas ideias, inspirações, desejos...
Pois nós estamos desconectados. Nós só conhecemos o nosso umbigo. Tudo gira ao nosso redor. Os outros que são o problema. Foda-se os outros, né isso? Nós reclamamos da indiferença quando também somos agentes dela, não apenas vítimas. Poucas são as pessoas que podem dizer que não. Mas não é exatamente isso que somos? Seletivos ao ponto de só sobrar a nós mesmos? Estamos tão desconectados que precisamos buscar um novo meio de nos conectar. Nos conectamos sem estarmos de fato, conectados.